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ESPELUNCA - blogue de ademir assunção


STOCKER

Paulo Stocker continua com suas tiras geniais aqui.



Escrito por ademir assunção às 15h13
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HOJE A NOITE

Antes da Festa de Merda, vou ver o show de Laurie Anderson no Sesc Pinheiros:



Escrito por ademir assunção às 12h51
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OS PUTEIROS ESTÃO TRISTES ESTA NOITE

 

O sr. estudou?
Fiz só o primário. Mas o primário daquela época valia por um colegial, curso superior qualquer. Tem uma coisa, minha filha: o mundo ensina muito. E o meio que eu vivo também.

E antes de ser cantor, trabalhou com o quê?
Trabalhei em fazenda, em garimpo, fui chofer de caminhão, fui muita coisa. No interior eu fui tudo.

Qual foi o pior trabalho que o sr. fez?
O pior foi o garimpo. É muito perigoso. Os garimpos que a gente trabalhava eram no meio do deserto, a uns 400 km da minha cidade. Um deserto, minha filha, que onça urrava na tua cara. É, mas naquele tempo eu era o maior "tarzã", não tinha medo de nada, não. Eu passei dois anos num garimpo, dois anos sem ver uma mulher. A salvação foi que meu pai mandou uma mula pra lá.

O sr. foi muito criticado na sua profissão, não?
Demais. Mas foi outro tempo. Hoje a crítica está mais cuidadosa, tem muito cantor ruim que ninguém critica. Naquela época era complicado. Isso incomodava, mas depois eu notei que cada vez que eles criticavam o sucesso aumentava. Participei de um programa chamado "Quem tem medo da verdade", era pra massacrar. Fizeram o Agnaldo Timóteo chorar e tudo. Fui naquele programa e naquele tempo eu andava armado! Estava a Ângela Maria, o Agnaldo Rayol, tinha um padre e eu era o réu. Eles faziam perguntas sobre mim e quando chegou na vez do padre, ele disse "eu conheço ele lá de Pernambuco, já deflorou muita menina lá". Eu meti a mão no revolver e ‘pá’. Não ficou ninguém lá. Quando acendeu a luz, eu saí. Se fosse hoje, eu seria preso! Depois me convidaram e eu voltei ao programa. Todos disseram que não tinham nada a falar de mim.

*****

Trechos de uma entrevista de Waldick Soriano, de janeiro de 2007. O rei dos puteiros morreu hoje, aos 75 anos de idade.  



Escrito por ademir assunção às 20h27
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O MISTÉRIO DAS PALAVRAS CANTADAS

 

 

Augusto de Campos escreveu no prefácio de Os Últimos Dias de Paupéria (Torquato Neto) sobre o mistério daquelas letras de música, “tão frágeis quando escritas / tão fortes quando cantadas”. E então eu penso nisso enquanto ouço Ney Matogrosso cantando Poema (Cazuza/Frejat) no cd player, lá no andar de baixo da casa. E então eu páro tudo só pra ficar ouvindo. E sinto os pêlos do braço se arrepiarem. E é nesses momentos que eu sinto que estou realmente vivo. E sinto que perdi, ou estou perdendo, “alguma coisa morna e ingênua” que foi ficando no caminho.

 

POEMA

 

Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo

Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou consolo

Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim

De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito

Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás

 

 

Quem quiser ouvir, aqui (logo abaixo da foto do Cazuza, no terceiro ícone).



Escrito por ademir assunção às 13h27
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HOMENAGEM AO GIGANTE NEGÃO

E na próxima semana vai ter exibição do vídeo Beleléu Cá Entre Nós, seguido de bate-papo com o diretor Fábio Henriques Giorgio (dia 12, sexta, 19 horas), e jam-session com Renato Gama e convidados, cantando clássicos de Itamar Assumpção (dia 13, 18 horas). Na Biblioteca Alceu Amoroso Lima. No dia 13 Itamar completaria 59 anos.



Escrito por ademir assunção às 00h29
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PRIMEIRA CHAMADA

 

Um bando de arruaceiros se reúne para ler poemas do velho Bukowski.



Escrito por ademir assunção às 23h58
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O TEATRINHO PATÉTICO DE NARCISO


Caetano Veloso cantava lá nos idos anos 80 (ou 70, não lembro mais): “não me amarra dinheiro, não/ mas a cultura”. Naquela época, talvez houvesse verdade nas suas palavras. Pelo menos eu achava. E muita gente da minha geração também.

Mas faz tempo que Caetano Veloso fez um pacto com o dinheiro (muito dinheiro). E aceitou o preço (como um Fausto às avessas): o de tornar sua própria obra irrelevante. Talvez não consiga (discos como “Transa” continuarão antológicos, além de dezenas de canções). Mas uma outra parte do pacto ele já cumpriu: há muitos anos conseguiu se tornar um artista irrelevante.

 

Caetano Veloso escolheu um lado. Fez um pacto com Sandyces que há anos vêm baixando o nível da música brasileira a patamares inacreditáves. Como não é bobo, pensou que seria bom manter seu prestígio também junto a antropólogos, diretores de cinema, atores, atrizes e governantes “essssspertos”. Talvez assim, raciocinasse, poderia manter seu reinado.

 

Mas que triste fim para um artista outrora relevante: reinar entre súditos medíocres, de um lado, e descolados, de outro (ambos, endinheirados, alguns bem mais que outros).

E como Narciso contumaz, Caetano Veloso não gosta “do que não é espelho”. Talvez por isso tenha ficado tão enfurecido com a crítica de Jotabê Medeiros publicada no Caderno 2 do Estadão, na semana passada: “Caetano, o Rei e o show de naftalina”: sobre o “concerto” em “homenagem” a Tom Jobim, que montou às pressas com Roberto Carlos, sob o patrocínio de um grande banco.

Jotabê Medeiros simplesmente cometeu uma “heresia”: devolver ao Rei (estou me referindo a Caetano Veloso e não a Roberto Carlos) sua própria imagem. O Rei não gostou do que viu e quis estilhaçar o espelho.

Se comportou como uma mistura patética de professor provinciano com coronel baiano. Como professor provinciano, partiu para uma inacreditável aulinha de português, tentando convencer seu séquito (que sempre o bajula, em troca de afagos e legitimação) que Jotabê Medeiros escreve mal. Como coronel baiano, não vacilou em “aconselhar” os donos do jornal a demitir o jornalista “insolente”.

O Coronel talvez um dia passe da fúria ao desconsolo, ao saber que a crítica de Jotabê Medeiros tem um sentido bem maior e expressa o que muita gente pensa, mas não tem espaço no cirquinho (bovino) da mídia para se manifestar.

Grande parte do séquito certamente não está nem aí para o fato de ser irrelevante artística, cultural e intelectualmente (afinal, a boiada está bem feliz com seus bolsos cheios de dinheiro). Mas, para o Coronel-Narciso, isso deve ser algo realmente apavorante.

*****

De resto, a "polêmica" entre Caetano Veloso e Jotabê Medeiros deverá entrar para a crônica artístico-cultural deste velho/novo Brasil, já cansado de suas vedetes milionárias "deitadas eternamente em berço esplêndido". Eis os links":

A crítica: aqui

Os ataques de Caetano Veloso: aqui

A resposta de Jotabê Medeiros: aqui



Escrito por ademir assunção às 11h55
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FÁBULA BUFA NUMA TARDE CHUVOSA

 

Ela fazia ar de inteligente quando comentava seus poetas preferidos (e até lembrava versos em voz alta), abusava dos diminutivos (tipo: gatinhos, nuvenzinhas e sofazinhos), chamava os amigos de “fofo”, e mesmo os desconhecidos de “querido”, e supunha esconder algo extremamente sutil por detrás de comentários engenhosamente construídos a base de elipses – pelo menos, era o que pensava – postados com regularidade em seu blog. Se tivesse realmente uma herança aristocrática circulando nas veias, na primeira oportunidade se revelaria uma víbora. Mas o Diabo não distribui democraticamente a danação do talento. Na primeira oportunidade, o que se revelou foi um total despreparo para encontrar a saída de emergência. Quando Ele enxugou a boca com a manga da camisa, jogou a garrafa de Johnny Walker em cima da cama (quase errou) e disse “tire a roupa”, Ela se encolheu no canto do quarto, as mãos trêmulas amassando a barra do vestidinho e quase gritou, desprotegida, “Eu quero a minha Barbie”.

Escrito por ademir assunção às 11h17
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O MINISTRO E A CRIAÇÃO LITERÁRIA

Semana passada Jotabê Medeiros publicou uma entrevista com o Ministro da Cultura Juca Ferreira, no Estadão. Eu não havia lido. Meu amigo Zema Ribeiro me mandou por email. Me chamou atenção um trecho:

O sr. está pensando em novos mecanismos para democratizar o acesso à cultura? 

Sim, vários. Há o projeto do Vale Cultura, que é um mecanismo não de financiamento da produção, mas do consumo cultural, como é o Vale Refeição. Estamos discutindo a criação de uma loteria da cultura ou a destinação de duas extrações da Mega Sena por ano para investimento na cultura. E nós vamos reestruturar o Fundo Nacional de Cultura, para que tenha agilidade e capacidade de gerar recursos e que seja gerido setorialmente, como é o Fundo do Audiovisual. O Fundo do Livro e da Leitura, das Artes Cênicas, do Patrimônio e Memória. E terão linhas de captação de dinheiro que não orçamentárias. 

De onde virá esse dinheiro? 

Depende. Do audiovisual vem de várias áreas, como aquelas taxas, o Condecine. O Livro e Leitura, já há um compromisso conosco de toda a cadeia produtiva de destinar 1% do lucro para o investimento nesse fundo. Tá faltando o OK do Ministério da Fazenda. Ou seja, cada área tem sua vocação específica de captar recursos e destiná-los. Com capacidade até de fazer co-produções com empresários, como na produção de um filme, por exemplo. 

*****

 

O Ministro continua falando em “livro e leitura” e não faz menção à “criação literária”. É como se falasse em política para o CD (indústria) e não para a música (linguagem), o que equivaleria a falar em política de fomento voltada para as gravadoras e não para os músicos.

 

Infelizmente, mesmo com todo o barulho que fizemos com o Movimento Literatura Urgente, o governo federal, através do Ministério da Cultura, ainda não compreendeu que criação literária e indústria editorial não são a mesma coisa, e não têm as mesmas necessidades.

 

É preciso continuar falando, falando, falando e falando.



Escrito por ademir assunção às 16h54
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Mais um poema do meu primeiro livro, LSD Nô (1994).



Escrito por ademir assunção às 13h20
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DAQUI A POUCO

 

 

Vai rolar o lançamento da Antologia Sado-masoquista da Literatura Brasileira, organizada por Glauco Mattoso e Antônio Vicente Pietroforte, e publicada pelo selo Dix, da editora Annablume. Vicente lança também "Tópicos de semiótica - modelos teóricos e aplicações". Na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena), das 15 às 18 horas. Apareça. Leve algemas e corpetes de couro, para o caso de alguma emergência.

 

Tem um poema meu, sado-budista:

 

VOVÓ DEVIA TER AVISADO

 

tarde demais, tarde demais, a promoter que jogava ovos

podres nos travecos putas e camelôs das calçadas

de Copacabana descobriu que o carro zero

os contatos descolados o duplex quitado

e a convivência com celebridades não

impediriam o almoço dos vermes

no cemitério do caju



Escrito por ademir assunção às 14h03
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MINI-CONTO TABAGISTA

 

 

 

Ella é fumante há 30 anos. Semana passada tossiu 2 horas, 11 minutos e 37 segundos seguidos, sem parar. Quase bateu seu recorde anterior. Nesta sexta-feira, Dia Nacional Anti-Fumo, decidiu passar o dia inteiro sem acender um cigarro. Estava indo bem até que viu na padaria a manchete na Folha de São Paulo: “Serra propõe banir cigarro em SP”. Não se deu conta inteiramente do golpe até ler a linha fina: “Se o projeto, enviado à Assembléia, for aprovado, só será permitido fumar ao ar livre ou dentro de casa”. Ella ficou tão abalada que precisou acender um cigarro.



Escrito por ademir assunção às 18h38
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ANTOLOGIA SADO-MASÔ

 

 

Vai ser sábado agora (amanhã, dia 30), o lançamento da Antologia Sado-masoquista da Literatura Brasileira, organizada por Glauco Mattoso e Antônio Vicente Pietroforte, e publicada pelo selo Dix, da editora Annablume. Na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena), das 15 às 18 horas. Poemas e contos de quarenta e cinco autores, de José de Alencar, Machado de Assis, Cruz e Sousa e João do Rio até Cláudio Daniel, Virna Teixeira, Mário Bortolotto e eu. Lista completa: Valentim Magalhães, Augusto dos Anjos, Pedro Xisto, Wilma Azevedo, Glauco Mattoso, Delmo Montenegro, Antonio Vicente Seraphim Pietroforte, Joca Reiners Terron, Marcelo Sahea, Luiz Roberto Guedes, Horácio Costa, Del Candeias, Frederico Barbosa, Ana Rüsche, Dirceu Villa, Contador Borges, Marcelo Tápia, Luís Venegas, Ivana Arruda Leite, Leila Míccolis, Renata Belmonte, Flávia Rocha, Adelice Souza, Leo Pinto, Ceguinho do Ceará, Victório Verdan, João Silvério Trevisan, Hugo Guimarães, Gustavo Vinagre, Ronaldo Bressane, Pedro Tostes, Marcelo Mirisola, Caco Pontes, Marcelino Freire, Leandro Leite Leocadio e Berimba de Jesus. Uns levaram o tema bem a sério. Outros partiram para o escracho total. Apareça.



Escrito por ademir assunção às 01h57
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SIM, MAIAKÓVSKI: ELES O RESSUSCITARÃO

No fim das contas, no dobrar da esquina, na dor do calcanhar torcido pelo passo em falso, ainda resta a poesia, essa putinha tão desprezada:

 

O AMOR

 

Talvez

         quem sabe

                        um dia

por uma alameda do zoológico
ela também chegará.
Ela,

     que também amava os animais

entrará sorridente

                      assim como está

                                          na foto sobre a mesa

Ela é tão bonita...
Ela é tão bonita

que, na certa, eles a ressuscitarão.
O século trinta

                 vencerá

o coração destroçado já
pelas mesquinharias.
Agora

       vamos alcançar

tudo o que não podemos amar na vida
com o estrelar das noites inumeráveis.


Ressuscita-me,

               ainda que mais não seja,

                                             porque sou poeta

e ansiava o futuro.
Ressuscita-me,

               lutando contra as misérias do quotidiano.
Ressuscita-me,

               por isso.

Ressuscita-me,

               quero acabar de viver o que me cabe,

                                                               minha vida

para que não mais existam amores servis.
Ressuscita-me,

para que ninguém mais tenha

que sacrificar-se por uma casa, um buraco.

Ressuscita-me,
para que a partir de hoje

                               a família

                                       se transforme

e o pai

       seja pelo menos o Universo

e a mãe

       seja no mínimo a Terra.
 

Vladimir Maiakóvski

Tradução, se não me engano, de Ney Costa Santos



Escrito por ademir assunção às 10h42
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PRIMITIVO SOLTA SEUS BICHOS



Escrito por ademir assunção às 10h40
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